Carlos Henrique Pereira Maia

A arte é um caminho de paz que conduz a Deus, o Artista dos artistas.

Textos

MOMENTO
De repente, rompendo a linha incerta que separa
A realidade carente da fantasia que a completa,
O verso surge no momento.
No momento em que surge o verso,
Não sei se vivo a profundidade do instante,
Ou se é o instante que me vive profundamente;
Nem mesmo sei se sou o amado, ou o amante,
Ou se represento os dois papéis na mesma peça.
Das horas em que sofri por um amor profundo
Ficou a certeza de que, de tanto amar, nada perdi.
Ardendo no fogo de um amor assim, aprendi
Que a vida é um meio, e o amor, um fim;
Que a paixão é uma labareda forte,
Mas se extingue no vácuo do tempo;
Que o amor é uma chama suave,
Mas não se apaga com o bulício do vento.
Pelo muito que sorri, e pelo muito que chorei,
Pelos sonhos que vivi, e pelos que ainda viverei,
Pelo silêncio do céu, e pela voz do mar,
O verso, de vez em quando, vem me procurar.
O momento do verso chega de surpresa,
Qual fera faminta quando ataca a presa.
Às vezes, estreia um espetáculo de brancas nuvens,
Carregadas por pingos de alegria suspensos.
Às vezes, mostra um cenário de nuvens plúmbeas,
Clareadas por relâmpagos de tristeza esparsos.
A poesia é cúmplice das emoções
Que correm nas veias da minha alma.
Alegra-se quando tenho algum motivo de riso;
Entristece-se quando o motivo é de pranto.
Ainda que ele queira estar preso
Por vontade própria, desejo
Que o amor nunca termine prisioneiro
De quem não o ama de verdade;
Que o poema, alegre ou triste,
Nunca perca a serenidade,
Seja eternamente verdadeiro
E prefira sempre a ternura ao enriste.





Carlos Henrique Pereira Maia
Enviado por Carlos Henrique Pereira Maia em 27/03/2013
Alterado em 05/10/2015
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