

MOMENTO
De repente, rompendo a linha incerta que separa
A realidade carente da fantasia que a completa, O verso surge no momento. No momento em que surge o verso, Não sei se vivo a profundidade do instante, Ou se é o instante que me vive profundamente; Nem mesmo sei se sou o amado, ou o amante, Ou se represento os dois papéis na mesma peça. Das horas em que sofri por um amor profundo Ficou a certeza de que, de tanto amar, nada perdi. Ardendo no fogo de um amor assim, aprendi Que a vida é um meio, e o amor, um fim; Que a paixão é uma labareda forte, Mas se extingue no vácuo do tempo; Que o amor é uma chama suave, Mas não se apaga com o bulício do vento. Pelo muito que sorri, e pelo muito que chorei, Pelos sonhos que vivi, e pelos que ainda viverei, Pelo silêncio do céu, e pela voz do mar, O verso, de vez em quando, vem me procurar. O momento do verso chega de surpresa, Qual fera faminta quando ataca a presa. Às vezes, estreia um espetáculo de brancas nuvens, Carregadas por pingos de alegria suspensos. Às vezes, mostra um cenário de nuvens plúmbeas, Clareadas por relâmpagos de tristeza esparsos. A poesia é cúmplice das emoções Que correm nas veias da minha alma. Alegra-se quando tenho algum motivo de riso; Entristece-se quando o motivo é de pranto. Ainda que ele queira estar preso Por vontade própria, desejo Que o amor nunca termine prisioneiro De quem não o ama de verdade; Que o poema, alegre ou triste, Nunca perca a serenidade, Seja eternamente verdadeiro E prefira sempre a ternura ao enriste.
Carlos Henrique Pereira Maia
Enviado por Carlos Henrique Pereira Maia em 27/03/2013
Alterado em 05/10/2015 Copyright © 2013. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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