

PARALISIA
O medo regozija-se com a paralisia,
Com o derrotismo dos vencidos, Almas mutiladas! Apedreja a iniciativa, Despeja o otimismo, Trai o compromisso, E ri-se da alegria; Mas o medo é sombra, Não passa de miragem, Não tem consistência, É simples imagem! Volúpia agonizante, Inteligência ociosa, Gentileza inóspita, Claridade ofuscante; O medo deleita-se com a submissão, Com o conformismo dos oprimidos, Almas torturadas! Gigantesco aos olhos temerosos, O medo torna-se pequeno, Ínfimo qual grão de areia, Quando o pensamento voa alto, E ultrapassa a sua esfera de ação! Tirando as roupas encardidas, Desvencilhando-se da culpa; Entregando as joias desgastadas, Despojando-se do fracasso; O pensamento fica leve, Flutua acima da adversidade; Vê com absoluta nitidez Que o amor é maior que tudo! Não humilha, mas enaltece; Não esquece, mas auxilia; Vê com profunda sensatez Que o amor se evola Com as asas da humildade, Enquanto o medo se afoga No pântano da mediocridade! O medo é perdedor, Hesita entre lutar ou fugir, Mas acaba escolhendo a fuga, Porque a fuga é mais segura! O amor é vencedor, Enfrenta o perigo do desafio Com o poder da sabedoria, Que sempre resiste à inferioridade! O medo não empreende; O medo não é livre; O medo não ama; O medo não é feliz! A prosperidade condena o medo; A miséria o absolve! O risco é imanente à vida, Por isso o medo nunca se arrisca, Não se entrega, nem se doa; O medo não confia em Deus! Não haveria primavera Se as flores temessem desabrochar; Tampouco haveria flores Se o Sol temesse raiar! Logo, o medo existe, Mas não vive; Sorri um sorriso triste, O medo apenas sobrevive! Ainda que corresse, ou que pulasse, O pensamento condicionado, Escravizado pelo medo, Não se moveria verticalmente; Permaneceria horizontalmente Sem iniciativa, Sem otimismo, Sem compromisso, E sem alegria; O medo apraz-se com a morbidez!
Carlos Henrique Pereira Maia
Enviado por Carlos Henrique Pereira Maia em 08/05/2013
Alterado em 09/05/2013 Copyright © 2013. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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