

REDOMA
Não me importa se minhas lágrimas
são de dor, ou de contentamento, só sei que choro, e assim me sinto vivo. Não me importa se meu sorriso é de autêntica alegria, ou de disfarçada tristeza, só sei que sorrio, e assim sei que existo. Não me importa se minha verve aparece nas horas dos dias desenhada em aquarela, e desbota quando menos se espera. O que realmente me interessa é que meu passado descansa em mim, meu presente eu é que faço, e minha fé no futuro não tem fim... Não me importa se convivo com o cadáver do que fui, e do que fizeram de mim, porque foram tempos vividos, afetuosamente lembrados, e jamais esquecidos. Não me importa o que me reserva o tempo futuro, o espaço futuro, porque não acredito em fadário, meu tempo é agora, e meu espaço é aqui. Não me importa o arrependimento do que desprezei, nem do que quis, porque foram as escolhas, felizes e infelizes, que fiz. O que realmente me interessa são os limites da minha redoma, que me isolam dos padrões concebidos por mais alguém, porque as minhas emoções sou eu que sinto, chorando ou sorrindo, mais ninguém.
Carlos Henrique Pereira Maia
Enviado por Carlos Henrique Pereira Maia em 01/08/2013
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