

RECOMEÇO
Ele jamais gostara daquela cidade,
era um refúgio agonizante, preferia a trepidez da velocidade à pacatez lenta e entediante. Havia aceitado a realidade de um casamento fracassado, mas ainda lhe abatia a saudade de tudo que ficara no passado. Queria não se importar com a solidão, mas só a sua companhia não bastava, no fundo desejava com sofreguidão a amante com quem ainda sonhava. Sombrio andava sobre os escombros de um amor não correspondido, carregava sobre os seus ombros o peso do seu orgulho ferido. Um dia despertou diferente, parecia uma outra criatura, sentia-se leve e contente, sem um travo de amargura. A luta que travava consigo e que à noite lhe tirava o sono, não deixara vencedor nem vencido, havia se curado da moléstia do abandono. O tempo apagara todos os traços que trazia da sua antiga amada, sumiram as marcas dos passos que ela deixara na sua estrada. O golpe assolador que antes o derrubara no chão agora o animava como um afago consolador, confiante em si mesmo trocou de roupa e então saiu de casa em busca de um novo amor.
Carlos Henrique Pereira Maia
Enviado por Carlos Henrique Pereira Maia em 14/10/2013
Alterado em 24/01/2022 Copyright © 2013. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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