Carlos Henrique Pereira Maia

A arte é um caminho de paz que conduz a Deus, o Artista dos artistas.

Textos

RECOMEÇO
Ele jamais gostara daquela cidade,
era um refúgio agonizante,
preferia a trepidez da velocidade
à pacatez lenta e entediante.
Havia aceitado a realidade
de um casamento fracassado,
mas ainda lhe abatia a saudade
de tudo que ficara no passado.
Queria não se importar com a solidão,
mas só a sua companhia não bastava,
no fundo desejava com sofreguidão
a amante com quem ainda sonhava.
Sombrio andava sobre os escombros
de um amor não correspondido,
carregava sobre os seus ombros
o peso do seu orgulho ferido.
Um dia despertou diferente,
parecia uma outra criatura,
sentia-se leve e contente,
sem um travo de amargura.
A luta que travava consigo
e que à noite lhe tirava o sono,
não deixara vencedor nem vencido,
havia se curado da moléstia do abandono.
O tempo apagara todos os traços
que trazia da sua antiga amada,
sumiram as marcas dos passos
que ela deixara na sua estrada.
O golpe assolador que antes o derrubara no chão
agora o animava como um afago consolador,
confiante em si mesmo trocou de roupa e então
saiu de casa em busca de um novo amor.

Carlos Henrique Pereira Maia
Enviado por Carlos Henrique Pereira Maia em 14/10/2013
Alterado em 24/01/2022
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