Carlos Henrique Pereira Maia

A arte é um caminho de paz que conduz a Deus, o Artista dos artistas.

Textos

ESTRANHA VOZ
Que estranha voz é essa,
Voz horrível de timbre
Soturno que me faz ter pressa
De provar todos os sabores
Fugazes da vida, como se fossem
Os meus derradeiros prazeres
Antes do último amanhecer?
É a voz da morte,
Canto fúnebre que até os poros
Atentos da minha pele ouvem,
Pesada ameaça pairando no ar,
Corvo que, qual tufão que passa,
Com toda a funérea certeza,
Há de me levar um dia!
Por que soa assim
Tão noturna, tão grave, tão fria
Essa onipresente voz tumular,
Recitando, às escuras,
A elegia do meu fim
Regularmente, sem cessar?
Se algum segredo profundo
Nas entranhas do meu corpo
Sem luz existe não sei,
Mas à minha angústia digo,
Quando a miséria do mundo
Toma conta de mim,
E me faz mendigo,
Que no dia em que eu deixar
De amar a Deus,
A mim mesmo
E ao próximo
Aí, sim, eu estarei
Completamente,
E para sempre,
Morto!




Carlos Henrique Pereira Maia
Enviado por Carlos Henrique Pereira Maia em 15/10/2013
Alterado em 16/10/2013
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