

ESTRANHA VOZ
Que estranha voz é essa,
Voz horrível de timbre Soturno que me faz ter pressa De provar todos os sabores Fugazes da vida, como se fossem Os meus derradeiros prazeres Antes do último amanhecer? É a voz da morte, Canto fúnebre que até os poros Atentos da minha pele ouvem, Pesada ameaça pairando no ar, Corvo que, qual tufão que passa, Com toda a funérea certeza, Há de me levar um dia! Por que soa assim Tão noturna, tão grave, tão fria Essa onipresente voz tumular, Recitando, às escuras, A elegia do meu fim Regularmente, sem cessar? Se algum segredo profundo Nas entranhas do meu corpo Sem luz existe não sei, Mas à minha angústia digo, Quando a miséria do mundo Toma conta de mim, E me faz mendigo, Que no dia em que eu deixar De amar a Deus, A mim mesmo E ao próximo Aí, sim, eu estarei Completamente, E para sempre, Morto!
Carlos Henrique Pereira Maia
Enviado por Carlos Henrique Pereira Maia em 15/10/2013
Alterado em 16/10/2013 Copyright © 2013. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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