

TODA CRIAÇÃO É ARTE
Os olhos do sol veem o dia nascer
Os olhos da lua veem a noite descer Os olhos das criaturas veem ambos findar Já a criação, esta tem olhos só para amar Os olhos solares No despontar do dia Clareiam os céus e os mares Nas manhãs vestidas de galhardia Os olhos lunares No desmaiar do dia Deitam sobre todos os lugares Gotas de sereno e serena nostalgia Os meus olhos nunca se cansam Depois de luzidios amanheceres E de sombrios anoiteceres terem visto Sempre procuram os renovados prazeres Das visões novas deste velho aprisco Onde todas as ilusões finadas descansam Trazem consigo os fulgores Das estrelas que ao longe cintilam Os olhos lunares Os olhos solares Quando no horizonte se retiram Levam consigo os ardores De outono a outono No curso do tempo andarei Mas como a vida é um trajeto curto Quando me fugir por certo o futuro Não me deixarei espavorir Diante da face ignota do porvir Será na eterna luz que viverei Redimido da escuridão do abandono E assim tomado pelas mãos da paz Direi ao carrasco da solidão: nunca mais! Criativa é a Onipotente Inteligência Que imaginou as obras de arte conhecidas As poesias tantas vezes lidas Do livro inexplicável da existência Claros e escuros são os tons da universalidade Na mutação de cenário: de claros dias Para escuras noites, de escuras tristezas Para claras alegrias... será isso poesia? Dias e noites são os atores da temporalidade No teatro da natureza em generosa profusão Serão estes (com cartesiana certeza) — Sem ofensa à soberana razão — Os temas favoritos da Divina Poética Ou serão simplesmente palavras antitéticas? Não sei, e pouco me importa se o gratificante Na vida é o muito pensar Todo pensamento que chega logo parte Não sei, mas às vezes acho que o importante Na vida é o sempre criar Toda criação é arte
Carlos Henrique Pereira Maia
Enviado por Carlos Henrique Pereira Maia em 10/06/2017
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