

O TEMPO TUDO CURA
Nas longas noites tristonhas,
Com energia e luz próprias, Fulgurava um anjo clemente Com aroma e fácies risonhas, E com todas as honras e glórias Aparecia com um ar benevolente Em meus frios sonhos noturnos, Envolvido por uma aura de amor, Trazendo nas mãos o alento Para mitigar a grande dor Que me corroía por dentro, Aprisionado em rancores soturnos. Durante muitas noites sem vida, E sem viço, e sem colorido, Eu me via na ausência obscura Da pessoa que mais amei outrora, Mas refeito pelo tempo que tudo cura, Já não me dói a ausência dela agora, E curado do desalento febril, Fustigante e cheio de imenso vazio, Eu sepulto na alma a ilusão perdida, E todo o irrecuperável tempo ido Que passei curvado sobre o rio, Chorando pelo amor que partiu.
Carlos Henrique Pereira Maia
Enviado por Carlos Henrique Pereira Maia em 30/06/2017
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